Homem de 82 anos recebe pena de mais de 15 anos de prisão por abusos contra criança e adolescente ao longo de seis anos no Vale do Itajaí.
Um pastor evangélico de 82 anos foi preso em Ascurra, no Vale do Itajaí, após condenação definitiva por estupro de vulnerável. Os crimes, praticados em continuidade delitiva, ocorreram 144 vezes contra a mesma vítima, entre 2009 e 2015, em Apiúna, região próxima. A Justiça fixou pena de 15 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão em regime fechado.
O acusado, que na época dos fatos tinha cerca de 70 anos, aproveitava a confiança depositada pela família da vítima, amiga próxima. Os abusos aconteciam principalmente à noite, durante visitas à residência, quando ele dormia no mesmo ambiente que a criança. A vítima iniciou os fatos aos 8 anos e sofreu os atos até aproximadamente os 15 anos.
A investigação da Polícia Civil de Santa Catarina estimou o elevado número de ocorrências com base no relato detalhado da vítima, principal elemento probatório em casos semelhantes, já que não havia testemunhas diretas. O processo judicial avançou até a sentença transitada em julgado, culminando na expedição do mandado de prisão cumprido pela Delegacia de Ascurra.
Esse tipo de crime, previsto no artigo 217-A do Código Penal, caracteriza-se pela vulnerabilidade da vítima menor de 14 anos ou incapaz de oferecer resistência. O caso reforça a gravidade de abusos sexuais praticados por figuras de autoridade religiosa, que exploram a confiança da comunidade para acessar vítimas.
Em Santa Catarina, episódios semelhantes já resultaram em condenações em outras regiões, como no Vale do Itajaí e em municípios próximos a Blumenau e Indaial, onde o acusado residia. A proximidade geográfica destaca a necessidade de alerta contínuo em comunidades pequenas, onde relações de confiança familiar e religiosa podem ser usadas indevidamente.
A prisão representa passo importante na responsabilização, mas o longo período de impunidade — os fatos datam de mais de uma década — evidencia desafios no enfrentamento precoce desses crimes. Autoridades reforçam a importância de denúncias imediatas por meio de canais como o Disque 100 ou delegacias especializadas.
O caso também serve de lembrete para famílias e igrejas em Santa Catarina sobre a importância de proteger crianças e adolescentes, evitando situações de vulnerabilidade em ambientes privados.
Próximos passos incluem o cumprimento integral da pena em regime fechado e possível análise de recursos remanescentes, embora a condenação já seja definitiva. A vítima recebe acompanhamento psicológico e jurídico conforme protocolos de atendimento a vítimas de violência sexual.
**Fonte(s):**
– Polícia Civil de Santa Catarina
– Tribunal de Justiça de Santa Catarina (informações processuais relacionadas ao crime de estupro de vulnerável)
ROBSON WESZAK – TA NA MIRA









