Pesquisa Datafolha divulgada em 11 de abril de 2026 mostra que a reprovação ao trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu para 51%, contra 49% em março. A aprovação caiu de 47% para 45%. A avaliação do governo registra 29% de ótimo ou bom (era 32%) e 40% de ruim ou péssimo (estável). O levantamento foi feito entre 7 e 9 de abril, com 2.004 entrevistados em 137 cidades, e ocorre a menos de seis meses do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. (159 caracteres)
Brasília, 13 de abril de 2026. A reprovação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu 51% em abril, segundo pesquisa Datafolha divulgada no sábado (11). O índice subiu dois pontos percentuais em relação ao levantamento de março, configurando o pior patamar em cerca de 12 meses. No mesmo período, a aprovação ao trabalho do presidente recuou de 47% para 45%, com 4% de entrevistados que não souberam ou não responderam.
A pesquisa, realizada entre os dias 7 e 9 de abril, ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Os resultados revelam deterioração na imagem do mandatário a menos de seis meses do primeiro turno das eleições presidenciais de outubro de 2026.
Avaliação do governo Lula registra piora na nota positiva
Quando questionados sobre a gestão como um todo, 29% dos entrevistados classificaram o governo como ótimo ou bom, queda de três pontos em relação aos 32% registrados em março. Outros 40% avaliaram como ruim ou péssimo, índice estável em relação ao mês anterior. A categoria “regular” subiu de 26% para 29%, enquanto 2% não souberam ou não opinaram.
A avaliação positiva continua mais forte entre os mais velhos (36%), os menos instruídos (43%) e os moradores do Nordeste (41%). Já a rejeição é maior entre os mais instruídos (49%), os sulistas (49%), os evangélicos (52%) e os que recebem mais de dez salários mínimos (58%).
Fatores que influenciaram o recuo na popularidade
De acordo com análises publicadas pela Folha de S.Paulo, vários elementos contribuíram para o aumento da reprovação. Entre eles estão a condução do caso Banco Master, escândalo que afetou a percepção sobre o governo e o Supremo Tribunal Federal (STF). Questões econômicas, como a manutenção de juros elevados, também pesaram negativamente.
No cenário internacional, a escalada de tensões no Oriente Médio — especialmente o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, com bloqueio no Estreito de Ormuz — gera preocupação com impactos na inflação brasileira, o que pode ter influenciado a percepção dos eleitores sobre a economia doméstica.
Comparação com o governo Bolsonaro na mesma fase
Apesar da piora nos índices, a pesquisa indica que Lula ainda apresenta números melhores do que seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), na mesma altura do mandato. Em levantamento equivalente, Bolsonaro registrava 46% de avaliação ruim ou péssima, 28% regular e 25% ótimo ou bom.
A reprovação ao trabalho de Bolsonaro era maior que a atual de Lula, o que sugere que, mesmo com a oscilação negativa, o petista mantém certa vantagem relativa em termos de imagem pública neste momento do terceiro mandato.
Contexto eleitoral e implicações para 2026
A pesquisa Datafolha chega em momento estratégico do calendário político. Com o primeiro turno marcado para outubro, a seis meses de distância, os números reforçam o desafio de Lula em buscar a reeleição em um cenário de polarização e desgaste natural do poder.
A estabilidade na avaliação negativa do governo (40%) indica que a base de rejeição permanece consolidada, enquanto a erosão na avaliação positiva pode sinalizar dificuldade para ampliar apoio entre setores indecisos ou moderados.
Especialistas em opinião pública observam que fatores como inflação, emprego, juros e eventos internacionais tendem a dominar a agenda nos próximos meses. A capacidade do governo de entregar resultados concretos nessas áreas será decisiva para reverter ou conter a tendência de queda.
Segmentos da sociedade e diferenças regionais
Os dados revelam clivagens claras no eleitorado brasileiro. Enquanto o Nordeste continua sendo o principal reduto de apoio, com 41% de avaliação positiva, o Sul registra 49% de rejeição. Diferenças por renda e escolaridade também são marcantes: quanto maior o nível de instrução e renda, maior a tendência de avaliação negativa.
O grupo evangélico aparece com 52% de rejeição, um dos mais críticos ao governo. Já entre os mais velhos e os menos escolarizados persiste maior tolerância à gestão petista.
Esses recortes sugerem que estratégias eleitorais para 2026 deverão considerar com atenção as demandas específicas de cada segmento, especialmente em temas econômicos e de segurança pública.
Perspectiva futura diante do cenário de 2026
A menos de seis meses da eleição, o Datafolha sinaliza um cenário de desafio para o Palácio do Planalto. A oscilação negativa, embora dentro da margem de erro em alguns pontos, indica que o governo precisa recuperar terreno rapidamente, especialmente na percepção econômica.
Nos próximos levantamentos, analistas acompanharão o impacto de medidas como eventual redução de juros pelo Banco Central, resultados fiscais e o desdobramento da situação internacional sobre o petróleo e a inflação.
Para Lula, que já manifestou intenção de disputar a reeleição, o momento exige equilíbrio entre a base fiel e a tentativa de reconquistar eleitores moderados. A oposição, por sua vez, deve usar os números para questionar a continuidade do projeto petista.
A pesquisa reforça que, em ano eleitoral, a popularidade presidencial é volátil e depende fortemente do desempenho percebido na economia e na gestão de crises. O segundo semestre de 2026 promete ser decisivo para definir se a reprovação de 51% representa um pico temporário ou tendência consolidada.









