BR-280: retomada de lote prevê cinco viadutos

Publicidade

DNIT planeja lançar em abril de 2026 edital para retomada parcial das obras de duplicação no lote 1 da BR-280, entre Araquari e São Francisco do Sul, com cinco viadutos previstos em 17,2 km. Trecho de 36 km está paralisado desde 2022. Entenda o cronograma, os pontos de intervenção e o impacto na infraestrutura do Norte de Santa Catarina. (158 caracteres)

Joinville — O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) deve lançar ainda em abril de 2026 o edital para a retomada parcial das obras de duplicação no lote 1 da BR-280, em Santa Catarina. A intervenção contemplará a construção de cinco viadutos em dois trechos que somam 17,2 quilômetros, representando quase metade dos 36 km do lote entre Araquari e São Francisco do Sul, paralisado desde o final de 2022.

A informação foi apresentada pelo superintendente do DNIT em Santa Catarina, Amauri Sousa Lima, durante reunião na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc). Se o cronograma for cumprido, os trabalhos poderão reiniciar no segundo semestre deste ano, marcando o avanço em uma das rodovias mais importantes do Norte catarinense.

O lote 1 conecta o porto de São Francisco do Sul à BR-101 e é considerado estratégico para o escoamento de cargas e o desenvolvimento regional. As obras neste segmento tiveram início em 2018 e foram interrompidas em 2022, deixando uma frente de trabalho paralisada em Araquari e outra no contorno de São Francisco do Sul.

Detalhes da retomada parcial

A retomada será dividida em duas frentes principais. A primeira abrange o entorno do Instituto Federal Catarinense (IFC), na travessia urbana de Araquari, entre os quilômetros 25,4 e 28,2. A segunda envolve o contorno de São Francisco do Sul, do quilômetro 3 ao 17,4, onde a rodovia ganhará novo traçado de ligação com o porto.

Os cinco viadutos previstos são:

  • Um no entorno do IFC, em Araquari.
  • Quatro no contorno de São Francisco do Sul: no cruzamento com a Estrada Gamboa (km 16), nas proximidades da Vega (km 11), no acesso a São Francisco do Sul/Tapera (km 6) e no acesso principal a São Francisco do Sul (km 3, próximo ao entroncamento com a SC-415, que leva às praias).

Essas estruturas de arte especial são fundamentais para melhorar a segurança viária, eliminar conflitos com acessos locais e permitir o fluxo contínuo na pista duplicada.

O restante do lote 1 ainda dependerá da elaboração de um novo projeto, que está em fase de contratação. A retomada total do segmento de 36 km exige estudos adicionais, incluindo possível avaliação de ponte sobre o canal do Linguado com remoção parcial de aterro.

Contexto histórico das obras na BR-280

A duplicação da BR-280 foi contratada na década passada com previsão inicial de conclusão ainda nos anos 2010. O projeto total abrange aproximadamente 75 quilômetros em diferentes lotes e representa um dos maiores investimentos em infraestrutura rodoviária de Santa Catarina, com valores globais que superam R$ 1,7 bilhão quando somados todos os trechos.

O lote 1 foi o primeiro a iniciar obras, em 2018, mas enfrentou sucessivos atrasos e paralisações, comuns em grandes empreendimentos federais por questões contratuais, orçamentárias e de adequação de projetos. Enquanto isso, os lotes 2 (entre Guaramirim e Jaraguá do Sul) avançam em ritmo mais acelerado, com previsão de conclusão entre 2026 e 2027. No lote 2.2, por exemplo, as obras já alcançam 77% de execução, com destaque para elevados, viadutos e túnel duplo no Morro do Vieira.

A apresentação na Fiesc reforçou que a BR-280 é prioridade para o DNIT/SC, especialmente por sua relevância logística para o porto de São Francisco do Sul, o polo industrial de Joinville e municípios como Araquari, Balneário Barra do Sul, Guaramirim, Jaraguá do Sul e Schroeder.

Importância econômica e impactos esperados

A BR-280 é a principal via de ligação entre o Litoral Norte catarinense e o interior do estado, transportando diariamente milhares de veículos, incluindo caminhões de carga para o agronegócio, indústria e turismo. A duplicação promete reduzir congestionamentos, aumentar a capacidade de tráfego e melhorar significativamente a segurança, diminuindo o risco de acidentes em trechos com tráfego intenso.

Especialistas em logística destacam que a conclusão plena da duplicação beneficiará diretamente o escoamento de produção industrial de Joinville — maior polo metal-mecânico e têxtil de Santa Catarina — e o fluxo turístico para as praias de São Francisco do Sul. A rodovia também integra corredores logísticos que conectam o porto ao sistema rodoviário federal, facilitando exportações.

A retomada parcial no lote 1 representa um passo importante após anos de paralisação, embora o cronograma completo ainda dependa de liberação de recursos federais e aprovação dos novos projetos. A região acompanha com expectativa a evolução, uma vez que a infraestrutura deficiente gera custos adicionais para transportadores e limita o potencial de crescimento econômico.

Desafios e perspectivas para conclusão

O superintendente Amauri Sousa Lima tem enfatizado em reuniões técnicas a necessidade de continuidade orçamentária para não comprometer o avanço. Histórico recente de cortes em verbas federais para infraestrutura rodoviária gerou preocupação em entidades como a Fiesc, que cobram agilidade na execução do Novo PAC e em licitações.

Para o lote 1, o desafio adicional é a complexidade técnica: trechos com novo traçado, áreas urbanas e proximidade com o litoral exigem cuidados ambientais e de engenharia. A divisão em etapas parciais permite avançar em pontos críticos enquanto se aprimoram os projetos remanescentes.

No contexto estadual, a BR-280 divide atenção com outras obras federais, mas permanece como uma das demandas mais antigas da sociedade civil organizada do Norte de Santa Catarina. Entidades empresariais e prefeituras da região têm acompanhado de perto as atualizações do DNIT.

Futuro da infraestrutura viária em Santa Catarina

Se o edital for lançado em abril conforme previsto e a licitação transcorrer sem intercorrências, a retomada física no segundo semestre de 2026 pode acelerar a conclusão do lote 1 nos anos seguintes. Paralelamente, os lotes em andamento devem entregar melhorias significativas até 2027.

A duplicação completa da BR-280 tem potencial para transformar a mobilidade no Norte catarinense, integrando melhor o porto, a indústria e o turismo. Para a população e o setor produtivo, o avanço representa alívio em uma rodovia que há anos opera com capacidade saturada em diversos pontos.

O DNIT reforça que o cronograma depende de fatores externos, como disponibilidade de recursos e aprovações ambientais, mas a sinalização de retomada parcial no lote 1 é vista como positiva após longo período de estagnação. A sociedade catarinense agora aguarda os próximos passos da licitação e o efetivo reinício das máquinas na rodovia.

Publicidade
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Subscribe to My Newsletter

Subscribe to my weekly newsletter. I don’t send any spam email ever!