Biografia de Jair Bolsonaro pode custar R$ 134 milhões, segundo pedido de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro. Valor supera em três vezes o orçamento de “Ainda Estou Aqui”, vencedor do Oscar 2025. Produção norte-americana com Jim Caviezel tem estreia prevista para setembro. (159 caracteres)
O filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, pode se tornar o projeto mais caro da história do cinema brasileiro. Segundo revelações do The Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou aporte de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) junto ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para custear a produção. O valor é aproximadamente três vezes superior ao orçamento de “Ainda Estou Aqui”, longa de Walter Salles que conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025.
A informação foi confirmada pelo próprio Flávio Bolsonaro, que defendeu tratar-se de patrocínio privado, sem uso de recursos públicos ou Lei Rouanet. Pelo menos US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) teriam sido repassados entre fevereiro e maio de 2025.
Comparação com produções nacionais
O orçamento pleiteado para Dark Horse ultrapassa com folga os custos de grandes produções brasileiras recentes:
- Ainda Estou Aqui (2025) — R$ 45 milhões (Oscar de Melhor Filme Internacional)
- O Agente Secreto (2026) — R$ 28 milhões (quatro indicações ao Oscar)
- Corrida dos Bichos (em produção) — R$ 20 milhões
- Tropa de Elite 2 — R$ 12,5 milhões
- Cidade de Deus (2002) — R$ 8 milhões (quatro indicações ao Oscar)
Mesmo comparado a produções americanas, o valor é expressivo. A biografia de Donald Trump, O Aprendiz, custou cerca de US$ 16 milhões (R$ 80 milhões).
Detalhes da produção
Dark Horse narra a trajetória de Jair Bolsonaro, com ênfase na facada sofrida durante a campanha presidencial de 2018 em Juiz de Fora (MG). O ator Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em A Paixão de Cristo, vive o ex-presidente. A obra é uma produção norte-americana, com roteiro de Mário Frias (PL-SP) e participação de Eduardo Bolsonaro nas tratativas.
A estreia está prevista para setembro de 2026, às vésperas das eleições presidenciais. Flávio Bolsonaro cobrou parcelas atrasadas em áudio enviado a Vorcaro em setembro de 2025, alegando risco de paralisação da produção.
Contexto do financiamento
A negociação ocorreu antes das acusações contra Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal em operação que investiga fraudes no sistema financeiro. Flávio afirmou ter conhecido o banqueiro em dezembro de 2024, quando não havia investigações públicas. Ele negou qualquer oferta de vantagem em troca do aporte e defendeu a CPI do Banco Master para “separar inocentes de bandidos”.
A produtora envolvida também tem contratos milionários com a Prefeitura de São Paulo, segundo reportagens anteriores.
Implicações para o cinema e a política
O alto custo de Dark Horse reacende o debate sobre financiamentos privados em produções ideológicas e o impacto no mercado audiovisual brasileiro. Enquanto produções nacionais dependem majoritariamente de incentivos fiscais e recursos públicos limitados, o longa sobre Bolsonaro contou com aporte direto de um empresário investigado.
Especialistas consultados pela imprensa destacam que valores dessa magnitude são incomuns mesmo para padrões hollywoodianos em biografias políticas. O filme chega em momento de polarização acirrada, com Flávio Bolsonaro como principal nome da oposição e pré-candidato ao Palácio do Planalto.
A produção segue em andamento e deve gerar repercussão tanto no circuito cinematográfico quanto no cenário eleitoral de 2026.









