Governo Federal suspendeu a pesca de tainha por arrasto de praia após cota de 1,1 mil toneladas ser atingida em 90%. Decisão gerou forte reação em Santa Catarina, que promete medidas judiciais. Pescadores e prefeituras criticam impacto em tradição cultural e economia local. (159 caracteres)
O Ministério da Pesca e Aquicultura proibiu, a partir de domingo (7 de junho de 2026), a pesca da tainha por arrasto de praia em todo o Brasil. A medida foi tomada após o limite da cota anual ser atingido em 90% (1.198,8 toneladas), em pouco mais de um mês de temporada.
A decisão gerou forte reação em Santa Catarina, principal estado afetado pela atividade, que promete recorrer judicialmente.
Motivo da suspensão
A cota de 1,1 mil toneladas tem como objetivo evitar a pesca predatória da espécie (Mugil liza) e garantir sua reprodução. Segundo o governo federal, a suspensão se baseia em dados de produção, monitoramento e controle.
As embarcações que ainda estavam no mar tiveram prazo de 24 horas para realizar o último descarregamento. Outras modalidades de pesca da tainha continuam autorizadas.
Reação em Santa Catarina
O governo do estado considerou a decisão desproporcional e anunciou que adotará “medidas judiciais cabíveis”. Em nota, a gestão estadual argumentou que o sistema de cotas não reflete a realidade da pesca catarinense, que é regulamentada e fiscalizada, e prejudica centenas de famílias que dependem da atividade artesanal.
A Prefeitura de Florianópolis também manifestou “preocupação e repúdio” ao encerramento precoce da captura, destacando que a pesca da tainha é uma “tradição centenária, parte da identidade cultural da cidade”.
Impacto econômico e cultural
Iniciada em maio, a safra de 2026 começou com grandes volumes de captura em Santa Catarina, gerando excesso de oferta e dificuldades de venda para alguns pescadores. A modalidade de arrasto de praia é especialmente importante no litoral catarinense e integra a identidade cultural do estado, com forte apelo turístico e gastronômico.
Pescadores e entidades do setor temem prejuízos financeiros e o enfraquecimento de uma atividade transmitida entre gerações.
Contexto da migração da tainha
A tainha migra todos os anos do Rio da Prata (Argentina/Uruguai) e da Lagoa dos Patos (RS) para desovar nas praias catarinenses durante o inverno. A espécie também é capturada no litoral paulista.
A temporada tradicionalmente se estende até o fim de julho, mas o rápido esgotamento da cota em 2026 interrompeu a atividade antes do previsto.
O governo federal defende que a medida equilibra exploração econômica e conservação dos estoques pesqueiros, garantindo a sustentabilidade para as próximas safras.









