Ao todo, são 49 mandados cumpridos em quatro estados dentro da investigação batizada de “Make Up”
A Polícia Federal iniciou nesta quinta-feira (10) uma operação que tem como alvos o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e duas organizações ligadas a Karina Gama, produtora do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os 22 alvos da ação estão o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
A produção cinematográfica passou a ser investigada depois que o site Intercept Brasil revelou uma troca de mensagens e um áudio em que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro cobrava dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o projeto.
O caso está sob relatoria do ministro do STF Flávio Dino. Segundo apuração inicial, a ação chamada de “Make Up” envolve apenas mandados de busca e apreensão, sem prisões, e reúne 49 mandados cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.
Duas frentes de investigação
Atualmente existem duas apurações distintas conduzidas por ministros do STF envolvendo o filme. A que motivou a operação desta quinta busca esclarecer o suposto uso irregular de emendas parlamentares e recursos públicos destinados a entidades e empresas próximas à produtora. A segunda investigação, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura os repasses feitos por Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro e o caminho percorrido por esse dinheiro.
Suspeita de desvio de recursos públicos
De acordo com a PF, uma organização criminosa teria sido montada por agentes públicos e privados para direcionar verbas a uma entidade da sociedade civil, que por sua vez subcontratava empresas de forma irregular — sem comprovação de que os serviços contratados foram efetivamente prestados.
A polícia identificou movimentações que somam centenas de milhões de reais entre as empresas envolvidas no esquema, com tentativas de ocultação que teriam se estendido até julho de 2026. Os crimes sob apuração incluem peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações.
Contrato sem histórico e valores acima do mercado
O inquérito aponta que o próprio processo de chamamento público que resultou na contratação já levantava suspeitas, já que teve participação exclusiva do Instituto Conhecer Brasil — entidade sem experiência prévia no setor de telecomunicações, com atuação até então restrita a feiras literárias e eventos religiosos.
Os valores cobrados pela ONG também chamaram atenção dos investigadores por estarem bem acima da média de mercado. Enquanto a Prodam, empresa pública de tecnologia da Prefeitura de São Paulo, cobrava cerca de R$ 230 pela implantação de cada ponto de internet e R$ 306 pela manutenção mensal, o contrato com o Instituto Conhecer Brasil previa pagamento fixo de R$ 1.800 mensais por ponto instalado — uma diferença considerada injustificável pelos investigadores.
Milhares de pontos de wi-fi não instalados
A apuração aponta ainda que a Secretaria de Inovação e Tecnologia continuou repassando valores mensais à ONG mesmo sem a conclusão da instalação dos 5 mil pontos de wi-fi previstos em contrato até junho de 2025. Até aquele momento, apenas 3,2 mil pontos haviam sido de fato instalados. Para disfarçar o atraso, teriam sido firmados três aditivos contratuais em intervalos muito curtos de tempo.









