A audiência de instrução e julgamento de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, acusada de se passar por uma adolescente de 12 anos para viver com uma família em Joinville, no Norte de Santa Catarina, foi realizada nesta quarta-feira (19), às 18h, de forma presencial. Ela responde pelos crimes de estelionato e falsa identidade.
Durante a sessão, foram ouvidas a acusação, a defesa e a própria ré. Depois da fase de instrução, os dois lados ainda podem apresentar alegações finais antes da decisão do juiz. A defesa afirmou que vai sustentar a inocência de Amanda e contestar as provas reunidas pela acusação.
Relembre o caso
Amanda foi presa em flagrante pela Polícia Civil em 2 de junho, no distrito de Pirabeiraba, após viver cerca de 14 meses como filha adotiva de um casal, usando o nome falso de Gabriele.
A farsa começou quando ela procurou uma igreja da região e contou ao pastor que havia fugido do Pará por sofrer maus-tratos. Acolhida pela congregação e depois pela família, passou a receber apoio financeiro e moradia.
Para sustentar a aparência de menor de idade, ela dizia ter transtorno do espectro autista e alegava ter sido forçada, na infância, a tomar doses altíssimas de hormônios — o que, segundo a investigação, justificaria seus traços físicos mais velhos. Ela também adotava comportamento infantilizado, usava mamadeira e chupeta e falava com voz afinada para reforçar o personagem.
A farsa começou a desmoronar quando os familiares que a acolheram estranharam atitudes do dia a dia e passaram a pesquisar sobre ela na internet. As buscas revelaram que Amanda já tinha histórico de golpes semelhantes registrados em pelo menos cinco estados brasileiros, com os primeiros casos datando de 2010, em Fortaleza, sua cidade natal.
Avaliação psiquiátrica
Após autorização judicial, Amanda passou por avaliação de sanidade mental. Os laudos produzidos integram o processo, mas, como o caso corre sob sigilo, os detalhes dos exames não foram divulgados oficialmente.









