A cidade mais rica de Santa Catarina enfrenta grave escassez de trabalhadores. Empresas como a Tupy realizam processos seletivos no Pará e oferecem ajuda de custo para atrair candidatos. Com taxa de desemprego em 2,2% e 6,6 mil vagas criadas no 1º trimestre de 2026, candidatos se tornaram mais seletivos. (158 caracteres)
Joinville, município com o maior Produto Interno Bruto (PIB) de Santa Catarina, vive um apagão de mão de obra que obriga empresas a buscarem trabalhadores em outros municípios e até em outros estados. O aquecimento da economia gerou forte demanda por vagas, mas a baixa taxa de desemprego e a maior seletividade dos candidatos criaram um cenário inédito para o mercado de trabalho local.
Empresas industriais, logísticas e de serviços relatam dificuldade para preencher vagas operacionais e técnicas. Para contornar o problema, algumas companhias ampliaram o raio de busca e oferecem incentivos como transporte fretado e auxílio deslocamento.
Tupy vai ao Pará em busca de profissionais
A multinacional Tupy, uma das maiores de Joinville, é um exemplo concreto dessa estratégia. Além de promover feirão de empregos na cidade, a empresa realizou processo seletivo no Pará e prometeu contribuir com o deslocamento dos profissionais contratados.
A medida reflete a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada ou disposta a ocupar as vagas disponíveis no mercado joinvilense, mesmo com remuneração competitiva.
Migração histórica e novo perfil do trabalhador
De acordo com o Censo 2022, 115,1 mil pessoas nascidas fora de Joinville passaram a residir na cidade na última década. O economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, vê o fluxo migratório como positivo, mas reconhece que o padrão mudou.
Antes voluntário e concentrado em cidades litorâneas, o movimento agora é provocado diretamente pelas empresas. Bittencourt destaca a taxa de desemprego de 2,2% em Santa Catarina como principal motor da escassez.
O gerente de Recrutamento e Seleção do RH Brasil, Joanir Schadeck, explica que os candidatos analisam com mais cuidado benefícios, localização, horários, estabilidade, qualidade de vida e possibilidade de crescimento antes de aceitar uma proposta. Jovens, especialmente, priorizam home office e cidades com opções de lazer e segurança.
Joinville cria 6,6 mil vagas no 1º trimestre
Os números do Caged confirmam o aquecimento. Em março de 2026, Joinville gerou saldo de 2,5 mil vagas. No acumulado do primeiro trimestre, foram 6,6 mil empregos formais criados — o segundo melhor resultado desde 2020, atrás apenas do início de 2021.
O setor industrial lidera as contratações, seguido por logística, serviços e comércio. Mesmo com a recuperação em relação a 2025, as empresas ainda enfrentam gargalos para preencher todas as posições abertas.
Estratégias adotadas pelas companhias
Além de feirões e processos seletivos em outras regiões, as empresas investem em divulgação agressiva (redes sociais, anúncios pagos e plataformas de emprego), busca ativa e agilidade nos processos. A busca em cidades vizinhas como Araquari e Garuva também se intensificou, mas distância e custo de deslocamento ainda afastam candidatos.
Implicações para a economia catarinense
O apagão de mão de obra em Joinville expõe um paradoxo do crescimento econômico: alta geração de vagas aliada à dificuldade de preenchimento. Especialistas apontam que o fenômeno pode limitar a expansão de empresas e, indiretamente, afetar o ritmo de crescimento do PIB municipal e estadual.
Para atrair mais trabalhadores, analistas sugerem que as companhias e o poder público invistam em divulgação das vantagens de morar em Joinville, melhoria de infraestrutura urbana e políticas de qualificação profissional alinhadas às demandas do mercado.
O cenário deve persistir enquanto a economia catarinense mantiver o baixo desemprego e a alta oferta de vagas. Empresas que conseguirem se destacar na atração e retenção de talentos terão vantagem competitiva nos próximos anos.









