Dino manda apurar encontro entre Mendonça e Vorcaro.

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A crise que envolve ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master ganhou mais um capítulo nesta terça-feira (15/9). O ministro Flávio Dino determinou que um encontro entre o colega André Mendonça e o ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, passe a integrar a investigação que já apura a conduta de Mendonça no caso. A decisão foi enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, para ser anexada ao processo.

O que motivou a decisão

Segundo Dino, Mendonça recebeu Vorcaro um dia antes de suspender, no plenário do STF, o julgamento de um caso envolvendo concessões de cemitérios em São Paulo — tema em que o Banco Master tinha interesses relacionados. Semanas depois desse encontro, Mendonça votou contra uma medida do próprio Dino que limitava os preços cobrados pelas concessionárias do setor.

Para o ministro, essa sequência de fatos, somada a outras conexões — entre elas o envolvimento do irmão de Mendonça e o Instituto Iter — forma o que ele chamou de um “quadro indiciário suficientemente relevante” e que, por isso, precisa ser apurado.

O papel do Instituto Iter

O encontro entre Mendonça e Vorcaro teria ocorrido justamente na sede do Instituto Iter, entidade educacional fundada pelo próprio ministro, que junto com a esposa detém a maior parte da sociedade. Levantamentos anteriores de veículos como CartaCapital e Revista Fórum já haviam mostrado que o instituto acumulou dezenas de contratos com o poder público, sem licitação, somando alguns milhões de reais — o maior deles firmado com um consórcio presidido por um prefeito de cidade que também investiu pesado no Banco Master, hoje sob investigação.

A reunião entre Mendonça e Vorcaro, segundo apurado, foi intermediada por um deputado federal e por um advogado que também aparecem em outras frentes das investigações em curso.

As determinações de Dino

Na decisão, o ministro determinou que:

  • a Prefeitura de São Paulo e a empresa reguladora do setor apresentem, em dez dias, documentação sobre a concessão de cemitérios e eventuais vínculos societários ou financeiros com o Banco Master;
  • o Ministério Público de São Paulo envie os documentos da investigação que conduz sobre o tema;
  • a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informe, em 15 dias, as relações entre fundos de investimento e as concessionárias privadas de cemitérios da capital paulista.

O contexto mais amplo

O episódio se soma a uma sequência de atritos entre ministros do STF nas últimas semanas, com Dino e Fachin de um lado pressionando por mais transparência nas investigações sobre o Banco Master, e Mendonça, relator do caso, sendo alvo de questionamentos sobre sua atuação. A decisão foi tomada no mesmo dia em que a Corte realiza uma sessão extraordinária para discutir a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro — outro fio da mesma novela que tem sacudido o Supremo em 2026.

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