A pobreza voltou a subir na Argentina

Publicidade

O Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec) divulgou nesta quinta-feira (24) os números de pobreza referentes ao primeiro semestre de 2026, e o resultado marca uma reversão na trajetória recente do país vizinho: o índice subiu para 32,3% da população, depois de ter fechado 2025 em 28,2%, o menor patamar em sete anos.

Trata-se da primeira alta semestral do indicador desde que o governo de Javier Milei assumiu, em dezembro de 2023. Estimativas privadas já vinham antecipando esse movimento nas semanas anteriores à divulgação oficial, projetando a incorporação de cerca de 1,7 milhão de novos pobres ao longo do semestre.

Crianças seguem sendo o grupo mais afetado

Como tem sido constante nas últimas medições, a faixa etária mais castigada pela pobreza continua sendo a infantil. No levantamento anterior (segundo semestre de 2025), 41,3% das crianças de até 14 anos viviam em domicílios abaixo da linha de pobreza uma proporção bem superior à observada entre adultos em idade ativa (32,6% na faixa de 30 a 64 anos) e, principalmente, entre idosos (9,7% acima de 65 anos). Dentro do próprio universo infantil, adolescentes de 12 a 17 anos aparecem como o subgrupo mais vulnerável.

Com a alta registrada agora para o primeiro semestre de 2026, a expectativa de analistas é que esse contingente infantil volte a crescer, ainda que os números detalhados por faixa etária para este novo período devam ser aprofundados nos próximos relatórios.

O contexto da virada

Depois de dois anos de forte ajuste fiscal e do pico de pobreza registrado logo no início do governo Milei quando o índice chegou a superar 52% da população, em meio à desvalorização cambial e ao choque inflacionário de 2024, a Argentina vinha de uma sequência de quedas consecutivas, puxada pela desaceleração da inflação e pela recomposição gradual da renda familiar frente ao custo das cestas básicas.

A reversão agora observada reacende o debate sobre a sustentabilidade dessa melhora, especialmente após um período eleitoral que testou a popularidade das políticas econômicas do governo. Ainda não está claro se o movimento representa um ajuste pontual ligado a fatores sazonais e cambiais do início do ano ou o início de uma nova tendência de alta.

Publicidade
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Subscribe to My Newsletter

Subscribe to my weekly newsletter. I don’t send any spam email ever!