A menos de três semanas das eleições de 2026, os candidatos catarinenses já movimentam uma quantia expressiva de recursos públicos em suas campanhas: R$ 148,7 milhões, segundo as prestações parciais de contas entregues até o dia 13 de setembro e divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O levantamento considera dois mecanismos de financiamento público: o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), popularmente chamado de “Fundão”, e o Fundo Partidário, normalmente usado para a manutenção das siglas ao longo do ano, mas que também pode bancar despesas eleitorais. Doações de pessoas físicas, financiamento coletivo (crowdfunding) e recursos próprios dos candidatos ficam de fora dessa conta.
Um dos dados mais chamativos é a concentração de recursos entre poucos nomes na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados: apenas 6% dos candidatos catarinenses ao cargo já arrecadaram mais da metade do teto de gastos permitido — e esse pequeno grupo abocanha mais de um terço de todo o dinheiro público destinado à disputa no estado.
Câmara dos Deputados: pouca gente concentra muito dinheiro
Ao todo, 231 candidatos catarinenses a deputado federal somaram R$ 84,9 milhões em recursos públicos. Desse total, apenas 14 nomes — 6% do grupo — já receberam mais da metade do limite máximo de gastos permitido para a campanha, fixado em R$ 3,17 milhões. Juntos, esses 14 candidatos concentram R$ 32 milhões, pouco mais de um terço de tudo o que foi destinado à corrida pela Câmara em SC.
Na ponta da lista aparecem nomes que já ocupam cadeira na Câmara e tentam a reeleição: Júlia Zanatta (PL), com R$ 3 milhões vindos do Fundo Eleitoral, e Fábio Schiochet (União), com R$ 2,9 milhões. Ambos receberam os valores por meio de repasses das direções nacionais de seus partidos.
Quem mais arrecadou para deputado federal:
- Júlia Zanatta (PL) — R$ 3 milhões
- Fábio Schiochet (União) — R$ 2,9 milhões
- Ana Paula Lima (PT) — R$ 2,8 milhões
- Valdir Cobalchini (MDB) — R$ 2,8 milhões
- Geovania de Sá (Republicanos) — R$ 2,8 milhões
- Pezenti (MDB) — R$ 2,8 milhões
- Giovana Mondardo (PCdoB) — R$ 2,3 milhões
- Darci de Matos (Republicanos) — R$ 2 milhões
- Jorge Goetten (Republicanos) — R$ 2 milhões
- Paulo Alceu (Republicanos) — R$ 2 milhões
Vale lembrar: desde 2015, quando as doações empresariais a campanhas foram proibidas após os escândalos de caixa 2 expostos pela Operação Lava-Jato, os fundos públicos se tornaram a principal fonte de financiamento eleitoral no Brasil.
Assembleia Legislativa: concentração ainda mais forte
Entre os 414 candidatos catarinenses a deputado estadual, o total arrecadado em recursos públicos chega a R$ 37,9 milhões. Aqui a concentração é ainda mais gritante: apenas oito candidatos — 1,9% do total de concorrentes — já receberam mais da metade do teto de gastos permitido (R$ 1,1 milhão), mas esse pequeno grupo abocanha 17% de todo o dinheiro público destinado à disputa pela Alesc.
A líder da arrecadação é a deputada estadual e candidata à reeleição Ana Campagnolo (PL), com R$ 1,2 milhão recebido do Fundo Eleitoral. Logo atrás vêm Marlene Fengler (PSD) e o deputado Marquito (PSOL), cada um com R$ 1 milhão informado. Assim como na disputa federal, os valores chegaram via repasses das direções nacionais dos partidos.
Quem mais arrecadou para deputado estadual:
- Ana Campagnolo (PL) — R$ 1,2 milhão
- Marlene Fengler (PSD) — R$ 1 milhão
- Marquito (PSOL) — R$ 1 milhão
- Policial Emily Pereira (União) — R$ 831,2 mil
- Luciane Carminatti (PT) — R$ 699,5 mil
- Mara da Saúde (PP) — R$ 677 mil
- Ingrid Sateré Mawé (PSOL) — R$ 647,7 mil
- Camasão (PSOL) — R$ 647,7 mil
Governo do Estado: Jorginho Mello e João Rodrigues na frente
Na disputa pelo governo catarinense, o dinheiro público segue concentrado no topo. Jorginho Mello (PL) e João Rodrigues (PSD) lideram folgados a arrecadação com recursos do Fundão e do Fundo Partidário. Apenas outros dois postulantes — Laís Chaud (UP) e o professor Marcus Sodré (PSTU) — relataram receber valores desses fundos até o momento. No total, a corrida ao Palácio já movimentou R$ 11,2 milhões em dinheiro público.
Recursos públicos por candidato ao governo de SC:
- Jorginho Mello (PL) — R$ 5,7 milhões
- João Rodrigues (PSD) — R$ 5,5 milhões
- Professor Marcus Sodré (PSTU) — R$ 30 mil
- Laís Chaud (UP) — R$ 3,2 mil
Senado: disputa movimenta mais dinheiro público que o governo
Curiosamente, a corrida pelo Senado catarinense recebeu mais recursos públicos do que a disputa pelo governo do estado. Nove dos 13 candidatos ao Senado já relataram ter recebido algum valor dos fundos públicos de campanha, com destaque para Carol de Toni (PL), líder isolada da arrecadação com R$ 4,3 milhões vindos do Fundão.
Recursos públicos por candidato ao Senado em SC:
- Carol de Toni (PL) — R$ 4,3 milhões
- Lunelli (MDB) — R$ 2,8 milhões
- Esperidião Amin (PP) — R$ 2,7 milhões
- Décio Lima (PT) — R$ 2,2 milhões
- Carlos Bolsonaro (PL) — R$ 2,1 milhões
- Afrânio Boppré (PSOL) — R$ 392,1 mil
- Túlio de Amorim Pfuetzenreiter (Missão) — R$ 75 mil
- Joaninha de Oliveira (PSTU) — R$ 12,7 mil
- Marcos Dorval (PSTU) — R$ 12,7 mil









