Com a corrida presidencial de 2026 ganhando corpo, um dos temas que já divide claramente os principais candidatos é o papel que o Brasil deve ocupar no cenário internacional. De um lado, nomes que defendem manter e aprofundar o Mercosul, os laços com a América do Sul e a presença do país nos Brics. De outro, candidatos que apostam em uma aproximação maior com os Estados Unidos e defendem que o Brasil deixe o bloco liderado por Rússia, China e Índia.
Lula aposta na integração regional e rejeita “subordinação”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa a reeleição, mantém a linha que já é marca de seus governos: fortalecer o Mercosul como principal plataforma de integração econômica e política da América do Sul, ampliar a infraestrutura regional — com destaque para conexões com o Pacífico e o Caribe — e defender um mercado comum sul-americano de energia. O programa do petista também prevê seguir com uma política externa “universalista”, mantendo negociações abertas com diferentes regiões do mundo, mas sem abrir mão da permanência nos Brics. A tônica do discurso é a rejeição a qualquer tipo de alinhamento automático ou subordinação estratégica a outras potências.
Flávio Bolsonaro e Zema puxam a aproximação com os EUA
Do lado oposto do espectro, Flávio Bolsonaro (PL), hoje apontado como o principal adversário de Lula nas pesquisas, tem defendido publicamente uma revisão do funcionamento do Mercosul — chegando a levar críticas ao bloco para o escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) — em um movimento inspirado no discurso de flexibilização comercial adotado pelo presidente argentino Javier Milei. O senador também tem sinalizado disposição para retomar relações mais próximas com Israel e reforçar parcerias com os norte-americanos.
Romeu Zema (Novo) segue linha semelhante, defendendo a saída do Brasil dos Brics sob a justificativa de que o bloco reuniria regimes autoritários, e apostando em uma aproximação comercial e diplomática mais estreita com os Estados Unidos.
Caiado quer rediscutir o Mercosul
Ronaldo Caiado (União Brasil), que também já disputou uma eleição presidencial contra Lula, no distante ano de 1989, defende rediscutir os termos do Mercosul e critica o que chama de viés ideológico da política externa conduzida pelo PT — argumento recorrente entre candidatos de oposição ao petismo desde os anos 1990.
Um tema que também mexe com o comércio exterior
Mais do que uma disputa diplomática, o debate tem efeitos diretos sobre a economia: o Mercosul, apesar das críticas de setores da oposição, segue sendo um dos poucos mecanismos que ajudam a equilibrar a balança comercial brasileira frente aos Estados Unidos. Um eventual afastamento do bloco, defendido por parte dos candidatos, tende a reabrir a discussão sobre os rumos do comércio exterior do país nos próximos anos — um debate que deve se intensificar à medida que a campanha avança rumo a outubro de 2026.









