SC registra salto de 66% em feminicídios em 2026

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Santa Catarina contabiliza 20 feminicídios entre 1º de janeiro e 20 de abril de 2026, contra 12 casos no mesmo período de 2025 — aumento de 66%. Dados da Secretaria de Segurança Pública revelam que a maioria das vítimas tinha entre 35 e 39 anos e não possuía boletim de ocorrência anterior. Quatro assassinatos ocorreram em menos de 48 horas no fim de semana, elevando o alerta para violência de gênero no estado. Especialistas apontam falhas na prevenção e defendem educação e capacitação. (159 caracteres)

Santa Catarina vive um aumento preocupante nos casos de feminicídio em 2026. Até o dia 20 de abril, o estado registrou 20 assassinatos de mulheres em razão de gênero, contra 12 ocorrências no mesmo intervalo de 2025. O salto representa crescimento de aproximadamente 66,7%, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SC).

O painel de Violência Contra a Mulher da SSP, atualizado até março, já apontava 12 casos. O número subiu rapidamente nas últimas semanas, com quatro feminicídios registrados entre sábado (18) e domingo (19) de abril — considerado o fim de semana mais violento para mulheres no ano até o momento.

A maioria das vítimas em 2026 tinha entre 35 e 39 anos e eram ex-companheiras dos agressores. Em 83,3% dos casos, não havia registro de boletim de ocorrência anterior contra o autor, o que reforça a importância da denúncia precoce como mecanismo de proteção.

Casos recentes e perfil das vítimas

Entre os assassinatos mais recentes destacam-se:

  • Em Passos Maia, no Oeste catarinense, mãe e filha — Tatiane Zanaro, 34 anos, professora, e Erika Borges, 19 anos, recém-formada em Administração — foram mortas a tiros pelo ex-companheiro de Tatiane, de 55 anos, que depois se suicidou.
  • Em Alfredo Wagner, na Grande Florianópolis, Karen Gabrielle Magalhães Pena, 25 anos, foi atingida por disparos de arma de fogo. O suspeito fugiu de moto.
  • Em Balneário Rincão, no Sul do estado, Bárbara de Silveira Bagé, 26 anos, foi asfixiada. O suspeito, de 31 anos, confessou o crime à família e está foragido.

Outras vítimas identificadas incluem Priscila Dolla (37), Tateana Medeiros (43), Carla Denise Ely da Silva (31), Daiane Simão da Costa (33), Grasilea de Cândido (39), Marivane Fátima Sampaio (25) e Ana Leda Santoro (70).

Os dados indicam que domingo é o dia de maior risco para as mulheres, seguido de sábado e segunda-feira. Especialistas relacionam o padrão ao maior tempo de convivência familiar, consumo de álcool ou entorpecentes e elevação do estresse, que rompem freios inibitórios.

Análise e falhas na prevenção

Tammy Fortunato, presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência Doméstica da OAB Nacional, avalia que o aumento revela falhas na prevenção estatal. “O aumento de casos de feminicídio nos primeiros meses de 2026 revela que ainda há falhas no Estado na questão da prevenção”, afirmou.

A advogada defende ações educativas em escolas e empresas para que crianças e adultos aprendam a identificar e repreender comportamentos violentos. Sobre as denúncias, ela explica que registrar o boletim de ocorrência representa o primeiro passo de reconhecimento da situação de violência, permitindo que a vítima adote medidas protetivas antes que o ciclo culmine em feminicídio.

Contexto nacional e estadual

Em 2025, Santa Catarina registrou 52 feminicídios ao longo do ano inteiro, segundo mapeamento do Ministério Público do Estado. O crescimento nos primeiros meses de 2026 contrasta com tendências de estabilização ou leve redução observadas em anos anteriores em alguns indicadores nacionais de violência contra a mulher.

O feminicídio é tipificado como homicídio qualificado quando cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, conforme a Lei Maria da Penha e alterações posteriores.

Medidas necessárias e perspectiva

Especialistas e autoridades reforçam a necessidade de fortalecer redes de proteção, ampliar o acesso a medidas protetivas e investir em campanhas de conscientização. A educação continuada sobre reconhecimento da violência doméstica surge como uma das principais recomendações para romper o ciclo de agressões.

A população conta com canais de denúncia como o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher), Disque 190 (Polícia Militar) e delegacias especializadas de atendimento à mulher. Em casos de emergência, o registro imediato de boletim de ocorrência pode salvar vidas.

Com o avanço do ano, órgãos de segurança e entidades da sociedade civil devem intensificar o monitoramento e as ações preventivas. O salto registrado nos primeiros 110 dias de 2026 serve como alerta para que Santa Catarina aprimore políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero, garantindo maior proteção às mulheres catarinenses.

A Secretaria de Segurança Pública segue atualizando os painéis oficiais. Novas informações sobre investigações dos casos recentes devem ser divulgadas nos próximos dias.

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