Ex-presidente do BRB é preso por propina e documentos falsos

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Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (16) na Operação Compliance Zero. Aconselhado a fazer delação premiada, ele insistiu em defesa baseada em documentos que a PF considera falsos. A investigação apura esquema de fraudes bilionárias com o Banco Master, incluindo recebimento de propina via imóveis de luxo. (157 caracteres)

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (16 de abril de 2026) o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. A detenção ocorreu em seu apartamento de luxo no bairro Noroeste, em Brasília, e faz parte da nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o Banco Master.

Costa é acusado de receber propina e integrar organização criminosa liderada por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo a PF, ele atuou como intermediário em operações que envolveram a aquisição de carteiras de crédito supostamente fraudulentas pelo banco público do Distrito Federal.

A prisão representa um desdobramento significativo no escândalo que já havia afastado Costa da presidência do BRB em novembro de 2025, na primeira etapa da operação.

Aconselhado a delatar, mas optou por estratégia de defesa técnica

Investigadores da Polícia Federal afirmam que Paulo Henrique Costa foi aconselhado por familiares e interlocutores a firmar acordo de delação premiada ainda antes da segunda fase da operação, realizada em 14 de janeiro de 2026. A orientação visava preservar o valor de sua colaboração antes da análise completa do material apreendido.

Apesar da pressão, Costa rejeitou a delação. Ele insistiu em uma linha de defesa centrada no caráter “técnico” das operações de compra de carteiras do Banco Master e na tentativa de aquisição parcial do próprio banco de Vorcaro. Para sustentar sua versão, o executivo reuniu em seu apartamento relatórios financeiros, contratos e documentos do BRB que havia levado consigo após o afastamento.

Relatos colhidos pela reportagem indicam que Costa acreditava poder demonstrar que as transações eram vantajosas para o BRB e contavam com apoio do Banco Central. Ele chegou a mencionar conversas com dirigentes do regulador armazenadas em seu celular como prova de boa-fé.

O advogado de Costa, Cléber Lopes, afirmou que seu cliente não cometeu nenhum crime e classificou a prisão como um “exagero da Justiça”. A defesa mantém a estratégia de que todas as operações seguiram governança colegiada, padrões de mercado e racionalidade econômica.

PF identifica “fábrica” de documentos falsos

A investigação avançou com a análise de dados telemáticos extraídos de celulares de investigados e com o relatório de auditoria forense contratado pela nova direção do BRB. Os elementos reunidos desmontaram a tese defendida por Costa, segundo a PF.

Os investigadores identificaram indícios robustos de produção massificada de documentos artificiais, incluindo planilhas de Excel, contratos, extratos, procurações e cláusulas de mandato criados para dar aparência de regularidade a ativos sem lastro real.

O Banco Central também detectou documentação falsificada ou fabricada. Entre as irregularidades apontadas estão ajustes manuais em extratos, documentos antedatados e o uso de procurações atípicas assinadas por agentes do banco em substituição aos tomadores de crédito.

A PF sustenta que as aquisições de carteiras foram aceleradas com flexibilizações procedimentais sucessivas e pressão para liquidação rápida, em aparente desrespeito aos controles prudenciais. O esquema teria movimentado R$ 12,2 bilhões em créditos considerados fraudulentos.

Transferência de imóveis como vantagem indevida

As provas coletadas também mencionam a transferência de seis imóveis de alto padrão, localizados em São Paulo e no Distrito Federal, como forma de viabilizar a aquisição das carteiras questionadas. Para os investigadores, esses bens configurariam pagamento de propina a agentes públicos envolvidos nas operações.

Costa nega as acusações e sua defesa afirma que não há evidências concretas de que as carteiras fossem “podres”. Em depoimentos anteriores, o ex-presidente alegou não ter clareza sobre eventuais fraudes e que as operações seguiam trâmites adequados.

Contexto do escândalo do Banco Master

O caso Master envolve suspeitas de emissão e negociação de créditos falsos em larga escala. Daniel Vorcaro é apontado como o principal articulador da organização criminosa. A operação Compliance Zero já cumpriu mandados em fases anteriores, incluindo a prisão temporária de Vorcaro.

Paulo Henrique Costa era visto pela PF como personagem central nas tratativas entre o BRB e o Banco Master. Durante sua gestão, o banco público avançou em negociações que incluíam a compra de parte do Master, operação que acabou não se concretizando.

O afastamento de Costa ocorreu após a primeira fase da operação. Apesar de estar fora do país na ocasião, ele escapou da prisão inicial, mas foi afastado do cargo. Desde então, permaneceu recolhido em seu apartamento, onde continuou mantendo contatos com auxiliares no BRB, conforme identificado em auditoria interna.

A nova prisão foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.

Implicações para o sistema financeiro e o BRB

O escândalo expõe fragilidades nos controles internos de um banco público e levanta questionamentos sobre a governança em instituições financeiras controladas por governos regionais. O BRB, tradicionalmente ligado ao governo do Distrito Federal, viu sua imagem abalada pelas investigações.

A auditoria forense contratada pela nova administração do banco contribuiu com elementos importantes para o avanço das apurações. A PF destaca que o amadurecimento da investigação, somado à análise demorada do material apreendido, permitiu reunir evidências mais consistentes nesta fase.

Especialistas avaliam que a prisão de Costa pode acelerar colaborações premiadas de outros envolvidos, incluindo o próprio Daniel Vorcaro, e ajudar a esclarecer eventuais conexões políticas por trás das operações.

Perspectiva futura da investigação

Com a prisão de Paulo Henrique Costa, a Polícia Federal espera avançar na identificação de toda a cadeia de responsáveis pelo suposto esquema. A expectativa é que novos depoimentos e eventuais delações ajudem a mapear o fluxo de recursos e as eventuais influências externas que facilitaram as irregularidades.

O caso também deve reforçar a discussão sobre mecanismos de prevenção a fraudes em bancos públicos e o papel do Banco Central na supervisão de operações de grande porte.

Enquanto a defesa de Costa mantém a tese de inocência e anuncia que não mudará sua estratégia, os investigadores consideram que o material coletado até o momento é suficiente para sustentar as acusações de corrupção, fraude e lavagem de dinheiro.

A Operação Compliance Zero continua em andamento, com foco na completa elucidação dos fatos e na responsabilização de todos os envolvidos.

Esta reportagem baseia-se em informações divulgadas pela Folha de S.Paulo e complementadas por declarações oficiais da Polícia Federal e da defesa do investigado.

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