A Prefeitura de Florianópolis registrou Boletim de Ocorrência contra membros do Sintrasem após supostas ameaças a secretários da Educação durante manifestação. O caso ocorre em meio à greve dos servidores, considerada ilegal pela Justiça. Administração afirma que não tolerará violências e reforça foco no fim da paralisação. (158 caracteres)
A Prefeitura de Florianópolis registrou, nesta quinta-feira (7 de maio de 2026), um Boletim de Ocorrência contra membros do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis (Sintrasem). O documento foi motivado por supostas ameaças dirigidas ao secretário municipal de Educação e ao secretário adjunto da pasta durante uma manifestação da categoria.
De acordo com nota oficial da administração municipal, o BO visa “resguardar a integridade física e funcional dos agentes públicos envolvidos”. A prefeitura reforçou que “ameaças e violências não serão toleradas” e que o foco da gestão permanece no encerramento da greve e na manutenção dos serviços essenciais à população.
Contexto da greve municipal
O episódio acontece em meio à paralisação por tempo indeterminado iniciada pelo Sintrasem em 23 de abril. A Justiça considerou a greve ilegal no dia 30 de abril e determinou o retorno ao trabalho. Apesar da decisão, o sindicato manteve mobilizações e anunciou novos atos para esta sexta-feira (8).
Entre as reivindicações da categoria estão o cumprimento da lei federal para auxiliares de sala, revogação de portarias na Educação, recomposição salarial de técnicos de enfermagem, pagamento do piso nacional para agentes comunitários de saúde (ACS) e de combate a endemias (ACE), além de melhores condições de trabalho nas áreas da Saúde e Educação.
O Sintrasem argumenta que a prefeitura negou parte significativa das demandas, mesmo com margem fiscal disponível. A entidade também critica exonerações de servidores temporários (ACTs) e possíveis descontos salariais por dias de paralisação.
Posição da Prefeitura
Em nota, a administração municipal informou que já atendeu reivindicações relacionadas à data-base salarial e que respeita o direito constitucional de greve. Sobre as exonerações de ACTs, a prefeitura esclarece que seguiu regras previstas em edital: contratos podem ser encerrados após mais de 48 horas consecutivas de ausência ou três faltas alternadas sem justificativa. Como a greve foi declarada ilegal, as ausências não foram consideradas justificadas.
A gestão municipal enfatiza o compromisso de manter os serviços públicos funcionando, especialmente nas áreas essenciais.
Reação do sindicato
O Sintrasem criticou, em publicações nas redes sociais, os descontos salariais, exonerações e o que classifica como “perseguições” contra servidores. “Não vamos aceitar trabalhadores punidos por lutar. A nossa luta é justa e, enquanto houver ataques, seguiremos nas ruas defendendo os nossos direitos e o serviço público”, afirmou a entidade.
Até a publicação desta reportagem, o SCC10 não obteve retorno do Sintrasem sobre o registro do BO.
Implicações para o serviço público
O conflito entre Prefeitura e servidores em Florianópolis expõe tensões comuns em greves do funcionalismo público: equilíbrio entre direitos trabalhistas, legalidade da paralisação e continuidade dos serviços à população. A capital catarinense enfrenta, desde o final de abril, impactos em escolas e unidades de saúde.
A tramitação do caso na Justiça e eventuais desdobramentos policiais devem definir os próximos capítulos. Novas mobilizações estão marcadas para esta sexta, o que pode prolongar o impasse.









