Fim da escala 6×1 divide deputados de SC

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Deputados federais de Santa Catarina se dividem sobre o fim da escala 6×1. Apenas dois parlamentares do PT apoiam a proposta que reduz a jornada de trabalho, enquanto bolsonaristas do PL são contrários e pregam cautela eleitoral. Comissão especial da Câmara discute o tema com votação prevista até 27 de maio. (159 caracteres)

A proposta de acabar com a escala 6×1 divide os 16 deputados federais de Santa Catarina. O tema ganhou novo fôlego nesta semana com a primeira reunião da comissão especial da Câmara dos Deputados, instalada para analisar as mudanças na jornada de trabalho. Apenas dois parlamentares catarinenses se posicionam abertamente a favor da medida, enquanto a maioria da oposição, especialmente os bolsonaristas, manifesta resistência.

O levantamento feito pelo NSC Total com as assessorias dos deputados revela um cenário polarizado: dois a favor, quatro contra, quatro em posição intermediária, uma sem posicionamento e cinco sem resposta até o fechamento da reportagem.

Posições dos deputados catarinenses

Os únicos favoráveis são os petistas Ana Paula Lima e Pedro Uczai (líder do PT na Câmara). Ana Paula Lima argumenta que a escala 6×1 contribui para o adoecimento mental de trabalhadores. “Não é aceitável normalizar jornadas exaustivas que adoecem, destroem vínculos familiares e afetam especialmente as mulheres”, declarou.

Do outro lado, deputados da oposição criticam a proposta como “ilusão populista” e alertam para impactos econômicos negativos. A deputada Júlia Zanatta (PL), titular da comissão especial, afirma que mais de 90% dos empregos afetados seriam de micro e pequenos empresários. Ela defende a liberdade de negociação entre trabalhador e empregador.

Outros contrários incluem Daniel Freitas (PL), Daniela Reinehr (PL) e Gilson Marques (Novo). Gilson Marques argumenta que a mudança proíbe quem deseja trabalhar mais, transformando a proposta em “ilusionismo” econômico.

Deputados como Jorge Goetten (Republicanos), Zé Trovão (PL) e Ismael (PL) adotam tom cauteloso. Goetten defende que o debate ocorra após as eleições presidenciais de 2026 para evitar contaminação eleitoral. Zé Trovão reconhece a legitimidade da pauta, mas pede responsabilidade técnica e emendas ao texto.

Tramitação na Câmara

A comissão especial, com 38 membros, tem dois catarinenses como titulares: Júlia Zanatta (PL) e Gilson Marques (Novo). Daniela Reinehr (PL) e Zé Trovão (PL) atuam como suplentes. O colegiado aprovou cronograma acelerado: relatório final em 20 de maio e votação até 27 de maio.

As PECs que propõem o fim da escala 6×1 já foram aprovadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em abril. Se avançarem, precisarão de 308 votos no plenário da Câmara e aprovação no Senado para alterar a Constituição.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), favorável à proposta, acelerou os trabalhos. O governo Lula também pressiona pela aprovação antes das eleições.

O que é a escala 6×1

Prevista na CLT, a escala 6×1 permite que o trabalhador labore seis dias seguidos com um dia de folga. O Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) defende a redução da jornada para melhorar qualidade de vida, saúde mental e equilíbrio familiar. Críticos apontam riscos de aumento de custos, informalidade e repasse de preços ao consumidor.

Contexto e implicações

O debate ocorre em ano eleitoral e em meio a preocupações com saúde mental no trabalho. Dados citados pelos favoráveis indicam que mais de 500 mil trabalhadores se afastaram em 2025 por problemas psicológicos. Para os contrários, a mudança pode prejudicar especialmente o setor de serviços, turismo e pequenas empresas, setores fortes em Santa Catarina.

A polarização reflete o cenário nacional: base governista vê a proposta como avanço social, enquanto a oposição bolsonarista alerta para riscos à economia e à liberdade de negociação.

O desfecho da tramitação deve ficar mais claro nas próximas semanas, com a apresentação do relatório e as audiências públicas previstas. O resultado influenciará diretamente milhões de trabalhadores e empresários brasileiros.

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