Rejane Gambin (Novo) tomou posse como prefeita de Joinville em 2 de abril de 2026, tornando-se a primeira mulher no cargo na história da maior cidade de Santa Catarina. Seu subsídio mensal passou de R$ 17,6 mil, como vice-prefeita, para R$ 35,1 mil aumento de 99,4%. Entenda o contexto político da renúncia de Adriano Silva e o perfil da nova gestora. (159 caracteres)
A jornalista Rejane Gambin (Novo) assumiu oficialmente o cargo de prefeita de Joinville no dia 2 de abril de 2026, após a renúncia do então prefeito Adriano Silva (Novo). Com a posse, ela se tornou a primeira mulher a comandar o Executivo da maior cidade de Santa Catarina e passou a receber subsídio mensal de R$ 35,1 mil, valor quase 100% superior ao que percebia como vice-prefeita.
Até então, Rejane Gambin recebia R$ 17,6 mil mensais como vice, conforme reajuste aprovado pela Câmara de Vereadores para 2026. A mudança representa aumento de 99,4% na remuneração, alinhado ao subsídio previsto para o cargo de chefe do Executivo municipal.
A cerimônia de posse ocorreu na Expoville, com sessão extraordinária da Câmara que oficializou a renúncia de Adriano Silva e a transmissão do cargo. Rejane Gambin prestou juramento e assinou o Termo de Posse e Compromisso, dando início a uma nova etapa na gestão da cidade.
Contexto da transição na maior cidade catarinense
Adriano Silva, eleito em 2020 e reeleito em 2024, renunciou ao cargo para se candidatar a vice-governador na chapa de Jorginho Mello (PL) nas eleições de 2026. A saída respeitou o prazo da legislação eleitoral e abriu caminho para a ascensão da vice-prefeita, que integrava a administração desde o primeiro mandato de Silva.
Rejane Gambin já havia assumido interinamente a Prefeitura em diversas ocasiões. A primeira vez ocorreu em janeiro de 2022, durante afastamento temporário de Adriano Silva. Desde então, ela substituiu o titular em outras 14 oportunidades. A posse definitiva de abril marca, portanto, a 15ª vez em que assume o comando da cidade.
Remuneração e reajuste aprovado pela Câmara
O aumento salarial decorre diretamente da alteração de cargo. O subsídio de prefeita de Joinville está fixado em R$ 35,1 mil mensais após o reajuste geral anual de 3,81%, calculado com base no IPCA acumulado entre março de 2025 e fevereiro de 2026. O mesmo índice foi aplicado a servidores, vereadores e ao próprio vice-prefeito.
Especialistas em administração pública explicam que a diferença entre os subsídios de prefeito e vice é comum nos municípios brasileiros e reflete a maior responsabilidade e carga horária do cargo principal. Em Joinville, a Câmara de Vereadores aprovou o reajuste em março de 2026, garantindo reposição inflacionária em parcela única e elevação de 10% no auxílio-alimentação dos servidores.
Perfil da primeira prefeita mulher de Joinville
Formada em Jornalismo pelo Centro Universitário Bom Jesus/Ielusc, Rejane Gambin acumula mais de 25 anos de experiência em comunicação. Atuou como repórter, apresentadora, editora-chefe e gerente de jornalismo em veículos como RBS TV, Rede Record, Jornal A Notícia, Rádio Itapema e Floresta Negra FM. Também foi professora de jornalismo na Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, e no Ielusc, em Joinville.
Desde 2011, é uma das vozes oficiais do Festival de Dança de Joinville e mantém atuação como digital influencer. Na vida pública, integrou a gestão municipal desde 2020, quando foi eleita vice-prefeita na chapa de Adriano Silva. Reeleita em 2024 com expressiva votação, participou de decisões estratégicas ao longo dos últimos seis anos.
Principais ações na vice-prefeitura
Durante o período como vice, Rejane Gambin liderou a expansão do Método Wolbachia em Joinville. A iniciativa, que envolve a liberação de mosquitos Aedes aegypti modificados, chegou a 32 bairros e contribuiu para redução superior a 99% nos casos de dengue. Em 2025, a cidade não registrou mortes pela doença.
Outra frente relevante foi a parceria com a iniciativa privada para manutenção de áreas públicas. O programa abrange 347 praças e parques e gerou economia de R$ 6,3 milhões aos cofres municipais desde 2021. Essas ações reforçam o foco em saúde pública e eficiência na gestão de recursos.
Na posse, a nova prefeita destacou o simbolismo de sua trajetória para as mulheres. “Eu tenho incentivado muito as mulheres a ocuparem os seus lugares de desejo. Se uma mulher quiser ser dona de casa, que ótimo, é um papel maravilhoso. Se ela quiser ser uma guarda noturna, que seja. O que eu quero é que as mulheres entendam que qualquer lugar também é de direito nosso”, afirmou.
Ela acrescentou que meninas já manifestam desejo de seguir carreira política ao observá-la, ampliando a perspectiva de que “podem ser prefeitas”.
Implicações políticas e administrativas
A transição ocorre em momento de continuidade partidária, uma vez que tanto Adriano Silva quanto Rejane Gambin pertencem ao partido Novo. A renúncia de Silva fortalece sua pré-candidatura a vice-governador, enquanto Rejane assume o desafio de manter o ritmo de entregas em uma cidade com mais de 600 mil habitantes.
Especialistas em direito eleitoral observam que a movimentação se enquadra nas regras para desincompatibilização, permitindo que o ex-prefeito dispute cargo majoritário estadual sem perder direitos políticos. Para Joinville, a mudança representa a oportunidade de consolidar projetos em andamento e enfrentar demandas históricas na mobilidade, saneamento e desenvolvimento econômico.
A Câmara de Vereadores, que aprovou o reajuste salarial e conduziu a sessão de posse, deverá manter diálogo próximo com o novo Executivo. Até o momento, não há indicativos de alterações significativas na composição da base aliada.
Perspectiva para a gestão de Rejane Gambin
Ao assumir o cargo, Rejane Gambin sinaliza continuidade das principais políticas da administração anterior, com ênfase em qualidade de vida, parcerias público-privadas e empoderamento feminino na política. Seu background em jornalismo e comunicação pode contribuir para maior transparência e engajamento com a população.
A cidade acompanha agora os primeiros passos da gestão interina que se torna definitiva. Questões como manutenção da redução de dengue, expansão de áreas verdes e eficiência fiscal continuarão no centro das atenções. O desempenho à frente da Prefeitura também poderá influenciar o cenário político estadual e municipal nas eleições futuras.
Para Joinville, o marco histórico de ter a primeira prefeita mulher reforça debates sobre representatividade de gênero nos espaços de poder. Rejane Gambin chega ao cargo com experiência acumulada, rede consolidada e desafios claros pela frente em uma das economias mais dinâmicas de Santa Catarina.









