Política restritiva de vistos do governo Trump afasta torcedores internacionais da Copa do Mundo 2026, deixando hotéis das 11 cidades-sede americanas com baixa ocupação. México e Canadá registram melhores números. Incidentes com árbitros e jogadores amplificam o temor. (159 caracteres)
A Copa do Mundo 2026 ainda nem começou, mas o setor hoteleiro dos Estados Unidos já registra um grande perdedor. As 11 cidades-sede americanas apresentam taxas de ocupação baixas, especialmente quando comparadas às cinco sedes no México e no Canadá, segundo dados da empresa CoStar.
A principal causa apontada é a política restritiva de vistos e imigração patrocinada pelo presidente Donald Trump, que vem afastando torcedores de futebol de diversos países.
Baixa ocupação e temor de restrições
Cidades como Vancouver (Canadá) e Guadalajara (México) lideram as reservas, com cerca de 48% de ocupação. Nos EUA, à exceção de Los Angeles, a taxa não chega a 40% na maioria das sedes.
Pesquisa da Associação de Hotéis e Hospedagem (AHLA) revela que 80% dos proprietários de hotéis relataram reservas abaixo do esperado. Setenta por cento atribuem o problema diretamente às restrições de vistos e às preocupações geopolíticas.
“Uma série de fatores moderou o otimismo inicial. Para concretizar o potencial, os EUA e a Fifa devem garantir uma experiência acolhedora”, declarou a presidente da AHLA, Rosanna Maietta.
Incidentes reforçam o receio
Casos recentes agravaram o cenário:
- O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, considerado o melhor da África pela Fifa, foi barrado após 11 horas de interrogatório.
- O atacante iraquiano Aymen Hussein ficou retido por sete horas no aeroporto de Chicago.
Delegações de Haiti e Irã enfrentam proibições totais, enquanto Costa do Marfim e Senegal têm restrições parciais. Outras seleções adiaram viagens por dificuldades com vistos.
Contexto da política de Trump
Desde o início do segundo mandato, Trump ampliou proibições de entrada para cidadãos de dezenas de países e interrompeu a emissão de vistos em outros. A medida, baseada na Seção 301, prioriza segurança nacional, mas impacta diretamente o turismo esportivo.
Além das restrições migratórias, preços altos de ingressos e custos de transporte também contribuem para a queda na demanda internacional.
A Fifa tem pressionado por facilidades, mas esbarra nas barreiras impostas pelo governo americano. O torneio, que deve movimentar bilhões, corre o risco de ter seu potencial turístico comprometido nos EUA.
O setor hoteleiro americano segue monitorando as reservas nas próximas semanas, com esperança de recuperação, mas o clima de incerteza predomina.









