MP investiga quem lucrou com fake news sobre morte do cão Orelha

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O Ministério Público de Santa Catarina abriu apuração para identificar monetização de conteúdos falsos sobre a morte do cão Orelha, em Florianópolis. No mesmo dia, o MP pediu o arquivamento do caso principal por falta de provas contra os adolescentes. CyberGAECO atua em crimes digitais. (158 caracteres)

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) investiga se houve lucro com postagens falsas disseminadas nas redes sociais sobre a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida em 4 de janeiro de 2026 na Praia Brava, em Florianópolis. A nova frente de apuração foi confirmada na terça-feira (12) e será conduzida pelas Promotorias de Justiça com apoio do CyberGAECO, grupo especializado em crimes digitais.

A iniciativa ocorre no mesmo dia em que o MP solicitou o arquivamento das investigações principais sobre a morte do animal. O órgão concluiu que a apuração da Polícia Civil baseou-se em relatos de “ouvi dizer” e que não há provas de que os adolescentes investigados tenham estado com o cão na praia.

Objetivo da nova investigação

Segundo o MPSC, o trabalho visa avaliar a monetização de conteúdos inverídicos que circularam amplamente após o caso ganhar repercussão nacional. A apuração também pretende fomentar a criação de regras mais claras para impedir o uso indevido de casos sensíveis — especialmente aqueles que envolvem crianças e adolescentes — com fins de engajamento e lucro em redes sociais.

“A apuração tem como objetivo avaliar a necessidade de fomentar a regulamentação e o estabelecimento de parâmetros que evitem o uso indevido de casos sensíveis, especialmente aqueles que envolvem crianças e adolescentes com a finalidade de obter engajamento e monetização em redes sociais”, destacou o órgão.

Arquivamento do caso principal

Em manifestação de 170 páginas assinada por três Promotorias, o MP apontou contradições e ausência de evidências concretas na investigação policial. Análises de câmeras de vigilância revelaram descompasso de cerca de 30 minutos nos horários e confirmaram que o cão estava a cerca de 600 metros de distância do local onde um adolescente foi visto.

Imagens analisadas pela defesa mostraram ainda o animal caminhando normalmente quase uma hora após o suposto horário da agressão, o que afastou a tese de que ele teria retornado debilitado.

O caso gerou grande comoção nas redes, com campanhas de mobilização e compartilhamento massivo de informações que, segundo o MP, nem sempre condiziam com os fatos apurados.

Posição da Polícia Civil

A Polícia Civil de Santa Catarina informou que concluiu as investigações e encaminhou os autos ao Ministério Público, responsável pela decisão de oferecer denúncia ou arquivamento. O órgão destacou a independência entre as instituições.

Contexto do caso Orelha

O cão comunitário Orelha vivia na Praia Brava e foi encontrado gravemente ferido, morrendo dias depois. A repercussão nacional transformou o episódio em símbolo de maus-tratos a animais, mas as investigações revelaram fragilidades nas provas e na cadeia de informações que circulou online.

A nova investigação do MPSC reforça o debate sobre responsabilidade digital, limites da liberdade de expressão e os riscos da viralização rápida de conteúdos não verificados, especialmente quando envolvem temas emocionais como proteção animal.

O desfecho das apurações sobre monetização de fake news deve trazer mais detalhes nas próximas semanas, com possível foco em perfis e páginas que obtiveram ganhos financeiros com o caso.

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