Presidentes Lula e Donald Trump se encontraram por três horas na Casa Branca nesta quinta (7). Relação bilateral, terras raras, guerras e reforma da ONU foram debatidos. Ficaram de fora classificação de facções como terroristas e críticas ao PIX. Ambos classificaram o encontro como positivo. (158 caracteres)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniram-se nesta quinta-feira (7 de maio de 2026) na Casa Branca, em Washington. O encontro durou cerca de três horas e foi avaliado de forma positiva pelos dois líderes. Trump descreveu a conversa como “muito boa” e elogiou Lula como “muito dinâmico”. O brasileiro saiu satisfeito e mencionou até um “amor à primeira vista” na relação.
A reunião ocorreu em um momento estratégico para o Brasil, que busca fortalecer laços comerciais e diplomáticos com os EUA em meio a um cenário global complexo.
O que foi discutido na reunião
Lula detalhou os principais temas em coletiva de imprensa após o encontro.
Relação bilateral e comércio Os líderes priorizaram a retomada e o fortalecimento da parceria entre Brasil e EUA. Lula defendeu que os americanos voltem a olhar com mais atenção para a América Latina, região que ganhou influência chinesa nos últimos anos. Ele propôs a criação de um grupo de trabalho bilateral para resolver impasses comerciais, com proposta a ser apresentada em 30 dias. O foco foi ampliar o diálogo econômico e comercial com respeito à soberania nacional.
Terras raras e minerais críticos Um dos pontos centrais foi o potencial brasileiro em terras raras e minerais estratégicos. Lula deixou claro que o Brasil não deseja exportar apenas matéria-prima bruta. A proposta é desenvolver toda a cadeia produtiva nacional, com processamento e industrialização, atraindo investimentos estrangeiros — inclusive americanos — sem exclusividade. O tema foi tratado como questão de soberania.
Guerras e conflitos internacionais Lula expôs a posição brasileira contra guerras e a favor do diálogo. Foram mencionados os conflitos no Irã e na Venezuela. O presidente brasileiro disse que colocou o Brasil à disposição para mediar negociações. Trump, segundo Lula, afirmou não ter intenção de invadir Cuba. O brasileiro reconheceu que não espera mudanças imediatas na postura americana, mas considerou importante o contato direto.
Reforma do Conselho de Segurança da ONU Lula defendeu a atualização do órgão, cuja estrutura ainda reflete o mundo de 1945. Ele cobrou protagonismo das potências permanentes para ampliar o conselho com novos membros, incluindo Brasil, Índia, Japão e países africanos.
Momento de descontração Houve espaço para humor. Lula brincou com Trump sobre a Copa do Mundo, pedindo que não anulasse vistos de jogadores brasileiros. “Espero que você não anule o visto dos jogadores brasileiros, porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa”, relatou, arrancando risadas do anfitrião.
O que ficou de fora da agenda
De acordo com Lula, dois temas sensíveis não foram abordados:
- A eventual classificação de facções criminosas brasileiras como grupos terroristas;
- As críticas americanas ao sistema PIX.
Lula comentou que Trump não mencionou o PIX, mas brincou que espera que um dia ele “faça um”.
Reações e avaliações
Trump publicou nas redes sociais que a reunião foi excelente e sinalizou novos encontros. Lula avaliou o clima como positivo e produtivo. “Eu saio muito satisfeito da reunião. Acho que foi uma reunião importante para o Brasil e importante para os Estados Unidos”, declarou.
Contexto e implicações
O encontro acontece após a derrota de Lula no Senado com a rejeição de Jorge Messias ao STF e em meio a desafios internos. No plano externo, representa esforço do Planalto para manter canais abertos com a administração Trump, priorizando pragmatismo sobre divergências ideológicas.
Analistas veem potencial de avanços em comércio e minerais, mas reconhecem que temas como regulação digital e segurança regional ainda demandam negociação futura.
A reunião reforça a diplomacia de Lula, que busca equilibrar relações com grandes potências. Os resultados concretos dependerão do avanço dos grupos de trabalho e da disposição mútua para ceder em pontos comerciais sensíveis.









