O Ministério da Pesca e Aquicultura decidiu ampliar a cota da tainha por arrasto de praia em Santa Catarina para beneficiar pescadores do Litoral Norte do estado. O anúncio foi feito na terça-feira (9 de junho de 2026), dois dias após a suspensão da pesca por esgotamento de 90% da cota anual.
A decisão atende reivindicação de colônias de pescadores e do governo estadual, que argumentaram que os cardumes ainda não haviam chegado em volume significativo ao Norte catarinense.
Motivo da cota extra
Historicamente, os cardumes de tainha migram do Sul para o Norte de Santa Catarina a partir de meados de julho. Neste ano, a supersafra concentrou a captura principalmente no Sul do estado, deixando pescadores do Norte prejudicados.
A Colônia de Pescadores Z-02 de São Francisco do Sul destacou em nota que a ampliação busca corrigir essa desigualdade regional. A medida foi discutida em reunião virtual com o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e a Secretaria de Aquicultura e Pesca de SC (SAQ).
O ministro Edipo Araujo justificou: “A pesca artesanal da tainha é tradição cultural histórica, passada de geração em geração, e precisa ser mantida, protegida e valorizada”.
Como ficará a pesca
A nova cota adicional é exclusiva para o Litoral Norte. A pesca segue suspensa até a publicação da portaria conjunta do MPA e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Assim que liberada, a modalidade de arrasto de praia poderá retomar nos municípios do Norte.
A cota original para arrasto de praia em 2026 havia sido ampliada em 20% em relação a 2025, mas foi esgotada em apenas 38 dias devido ao alto volume de cardumes.
Contexto da safra 2026
Esta é apenas a segunda safra com cota específica para a pesca por arrasto de praia. Diferentemente de outras modalidades, a cota do arrasto é exclusiva de Santa Catarina, por ser o estado onde a prática é mais tradicional e regulamentada.
O rápido esgotamento gerou preços baixos na indústria (R$ 2 a R$ 3 o quilo) e debates sobre o sistema de cotas. Pescadores e prefeituras do litoral criticaram a rigidez da regra federal.
O governo de Santa Catarina continua dialogando com o Ministério da Pesca para defender os interesses dos pescadores artesanais, que veem na tainha não apenas renda, mas também identidade cultural.









