Bancos como Itaú, Santander, Bradesco, BTG, Pan e C6 confirmam adesão ao Novo Desenrola Brasil, lançado por MP do governo. Clientes com renda até R$ 8.105 poderão renegociar dívidas com descontos de até 90%, mas operações ainda aguardam adaptações técnicas e autorizações do FGO. Saiba quem pode participar e como acessar. (158 caracteres)
Bancos consultados pelo G1 confirmaram adesão ao Novo Desenrola Brasil, programa lançado pelo governo federal na segunda-feira (4 de maio de 2026) por meio de Medida Provisória. Apesar do interesse das instituições, a renegociação efetiva de dívidas ainda depende de ajustes operacionais, testes de sistemas e autorizações do Fundo Garantidor de Operações (FGO). O acesso ocorrerá exclusivamente pelos canais oficiais dos bancos — aplicativos, sites e agências.
O programa visa reduzir o endividamento de famílias de baixa e média renda, reorganizar o acesso ao crédito e injetar até R$ 58 bilhões em renegociações. A MP já está em vigor, mas o início prático das ofertas varia conforme cada instituição.
Posicionamento dos principais bancos
O Itaú Unibanco informou que trabalha na implementação e disponibilizará ofertas assim que a MP for publicada. As renegociações serão oferecidas no Superapp, WhatsApp, site e parceiros credenciados, seguindo os parâmetros do governo: descontos de até 90%, juros limitados a 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 meses.
O Santander considerou a iniciativa positiva para a saúde financeira da população e confirmou adesão. A instituição realiza testes para oferecer o serviço o mais breve possível, colocando canais à disposição dos clientes.
O Bradesco também vai aderir e aguarda autorizações do FGO. Enquanto isso, disponibilizou pré-cadastro no portal renegocie.bradesco.com.br. O banco criou ainda condições próprias para clientes que não se enquadram no programa governamental.
BTG Pactual e Banco Pan confirmaram participação e acompanharão a regulamentação para informar clientes sobre prazos e critérios. O C6 Bank informou que oferecerá renegociações assim que as APIs com FGTS e FGO estiverem operacionais, orientando clientes a procurarem o app ou telefone.
Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Nubank não responderam até a publicação. O Banco Inter citou período de silêncio por balanço.
Quem pode participar e quais dívidas entram
O Desenrola Famílias atende pessoas com renda mensal de até cinco salários mínimos (R$ 8.105). As dívidas elegíveis são:
- Contratadas até 31 de janeiro de 2026;
- Em atraso entre 90 dias e dois anos;
- De cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC);
- Limitadas a R$ 15 mil por CPF após descontos.
O programa inclui ainda Desenrola Fies (para estudantes), Desenrola Empresas, Desenrola Rural e ajustes no crédito consignado para aposentados e servidores.
Condições de renegociação
As ofertas preveem descontos entre 30% e 90%, parcelamento em até 48 meses, carência de até 35 dias e juros máximos de 1,99% ao mês. Trabalhadores poderão usar até 20% do saldo do FGTS (ou R$ 1 mil, o que for maior) após a renegociação.
O governo também prevê bloqueio do CPF em plataformas de apostas por um ano para beneficiados.
Contexto do endividamento no Brasil
O lançamento ocorre em momento de inadimplência elevada, especialmente entre mulheres de baixa renda com dívidas no cartão de crédito. O Novo Desenrola expande a primeira edição, que renegociou bilhões em débitos, e busca ampliar o impacto com garantia do FGO e uso de recursos de contas inativas.
Implicações para consumidores e mercado
Para milhões de brasileiros endividados, o programa representa oportunidade de limpar o nome e retomar acesso ao crédito com condições mais favoráveis. Especialistas alertam, porém, para a necessidade de avaliar a capacidade real de pagamento das novas parcelas.
Do lado dos bancos, a adesão reforça o compromisso com a saúde financeira da clientela, mas a implementação gradual pode gerar frustração inicial entre consumidores ansiosos por renegociar imediatamente.
O governo estima que o programa dure três meses na fase principal, com possibilidade de prorrogação. A expectativa é que a medida contribua para reduzir o nível de endividamento das famílias e estimule a economia ao liberar capacidade de consumo.
Consumidores elegíveis devem consultar diretamente os canais dos bancos para verificar disponibilidade de ofertas e realizar simulações. A recomendação é comparar condições e evitar novas dívidas durante o processo.
O Novo Desenrola representa mais uma etapa no esforço conjunto entre governo e setor financeiro para mitigar os efeitos da inadimplência no país. Seu sucesso dependerá da agilidade na implementação pelos bancos e da adesão consciente dos devedores.









