Safra da tainha 2026 dura só 38 dias e tem preço 80% menor

Publicidade

Supersafra da tainha em Santa Catarina terminou em apenas 38 dias após atingir 90% da cota anual. Elevado volume de cardumes, impulsionado por ciclones, fez pescadores venderem peixe a R$ 2-3/kg para a indústria  até 80% abaixo do valor normal. Estado vai à Justiça. (159 caracteres)

A safra da tainha por arrasto de praia em Santa Catarina, principal modalidade artesanal, durou apenas 38 dias em 2026. O governo federal suspendeu a atividade no dia 7 de junho após o limite de 90% da cota anual ser atingido, gerando frustração entre pescadores e prefeituras do litoral catarinense.

O ano foi marcado por uma “supersafra”, com volumes excepcionalmente altos de cardumes logo no início da temporada.

Por que a safra acabou tão rápido

O elevado volume de tainhas na costa catarinense acelerou o esgotamento da cota de 1,1 mil toneladas. Segundo Caio Magnotti, doutor em Aquicultura e pesquisador da UFSC, dois ciclones extratropicais formados na Argentina podem ter “empurrado” os cardumes de forma mais rápida e intensa para o litoral de SC.

 Os ciclones coincidiram com o período e local de migração das tainhas. Isso, aliado a condições climáticas, correntes e maturação dos peixes, explica a supersafra  explicou o especialista.

No ano passado, a safra terminou sem esgotar a cota, com pouco mais de 1 mil toneladas capturadas.

Preços despencam até 80%

A abundância de pescado derrubou os preços pagos pela indústria. Enquanto na venda direta para a comunidade o quilo é comercializado entre R$ 8 e R$ 10, a indústria pagou entre R$ 2 e R$ 3 o quilo — valor até 80% menor que em safras anteriores mais fracas.

Laurentino Benedito Neves, subsecretário de Pesca de Florianópolis e pescador no Rancho Saragaço (Barra da Lagoa), classificou 2026 como “supersafra adiantada”. Ele destacou a dificuldade de escoamento para grandes volumes, o que obriga a venda para a indústria em condições desfavoráveis.

Reação de SC e próximos passos

O governo de Santa Catarina anunciou que recorrerá à Justiça para tentar derrubar a decisão federal. Pescadores e prefeituras, especialmente de Florianópolis e Palhoça, criticam o impacto na economia local e na tradição cultural da pesca da tainha.

Outras modalidades de pesca (emalhe anilhado, cerco e industrial) continuam autorizadas, com cotas específicas ainda disponíveis.

A temporada de 2026 reforça o debate sobre o sistema de cotas, a sustentabilidade dos estoques e o equilíbrio entre preservação e renda dos pescadores artesanais em Santa Catarina.

Publicidade
Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp

Subscribe to My Newsletter

Subscribe to my weekly newsletter. I don’t send any spam email ever!