Lula define 4 temas com Trump; Bolsonaro fica de fora

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Presidente Lula prioriza comércio, terras raras, regulação de big techs e combate ao tráfico de armas e sonegação na reunião com Donald Trump em Washington esta semana. Nem Jair Bolsonaro nem a guerra no Irã estão na lista principal de assuntos. Agenda inclui almoço na Casa Branca e chega em momento de desafios políticos internos. (159 caracteres)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definiu quatro temas prioritários para a reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ocorrerá nesta semana em Washington. A agenda bilateral exclui deliberadamente questões como o ex-presidente Jair Bolsonaro e o conflito no Irã, embora o governo brasileiro esteja preparado para abordá-las caso sejam levantadas pelo lado americano.

A informação foi revelada pela colunista Daniela Lima, do UOL, com base em fontes da equipe de Lula. A visita ocorre em um contexto de busca por avanços concretos na relação entre Brasil e Estados Unidos, especialmente em temas econômicos e de segurança.

Os quatro temas prioritários de Lula

De acordo com a coluna, o principal objetivo brasileiro é zerar a lista de sanções comerciais que ainda afetam produtos nacionais. O foco está em ampliar o acesso de exportações brasileiras ao mercado americano, um dos maiores parceiros comerciais do país.

O segundo ponto envolve as terras raras. O Brasil pretende fechar acordos com os Estados Unidos, mas com a condição de exportar material processado e manufaturado, e não apenas matéria-prima bruta. A estratégia busca agregar valor à cadeia produtiva nacional e fortalecer a indústria de mineração.

Em terceiro lugar, Lula deve tratar da regulamentação de plataformas digitais. O tema ganha relevância diante das discussões globais sobre o papel das big techs na disseminação de conteúdo, proteção de dados e regulação de algoritmos.

Por fim, o presidente brasileiro pedirá maior vigilância americana sobre o tráfico de armas para o Brasil e o bloqueio de bens de sonegadores que constituem empresas nos Estados Unidos para fugir da fiscalização tributária brasileira. O combate ao crime organizado transnacional é visto como área de possível cooperação bilateral.

Bolsonaro e Irã não são prioridades

Nem o nome de Jair Bolsonaro nem a guerra no Irã constam da lista principal de assuntos. Fontes do Planalto indicam que Lula não pretende pautar o encontro por temas de política interna ou conflitos internacionais distantes, priorizando a agenda pragmática de interesses brasileiros.

A equipe presidencial não espera “pegadinhas” ou constrangimentos midiáticos por parte de Trump. O otimismo se baseia no fato de que, após a reunião de trabalho, a Casa Branca convidou Lula para um almoço, sinalizando clima cordial.

Contexto doméstico da viagem

A agenda internacional chega em momento delicado para o governo Lula. Na semana anterior, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, em derrota histórica atribuída à articulação entre Centrão, bolsonarismo e parte do Judiciário. A viagem aos EUA é vista como oportunidade de oxigênio político e demonstração de protagonismo externo.

Implicações para a relação Brasil-EUA

A reunião reforça a tentativa de Lula de manter canais abertos com a administração Trump, mesmo após divergências em temas como meio ambiente e comércio durante o primeiro mandato do republicano. Analistas avaliam que avanços em comércio e segurança podem gerar resultados concretos, enquanto temas como regulação digital exigem maior negociação.

O Brasil chega com posição de relevância: é um dos principais fornecedores de commodities aos EUA e tem potencial estratégico em minerais críticos como terras raras, essenciais para tecnologia e defesa.

Perspectiva para os próximos dias

A comitiva brasileira deve detalhar os resultados da reunião nos próximos dias. O Planalto aposta que entregas concretas nos quatro temas possam fortalecer a narrativa de um governo capaz de dialogar com diferentes atores internacionais, independentemente de afinidades ideológicas.

A visita a Washington representa mais um capítulo na diplomacia pragmática de Lula, que busca equilibrar relações com potências globais em um cenário geopolítico complexo. O sucesso dependerá da disposição americana em ceder em pontos sensíveis como sanções comerciais e cooperação em segurança.

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